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Archive for julho \25\UTC 2011

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A Força dos Engenhos (Celso Martins / jornalista)

Vistos com o olhar contemporâneo, os engenhos não passam de coisas do passado, inúteis num mundo de predomínio da robótica e da informática, dos ensaios genéticos, da produção em larga escala e da produtividade e do lucro. Um olhar mais atento e isento de preconceito, vai enxergar nestes mesmos engenhos as marcas das memórias que alimentam o imaginário e as tradições culturais das populações tradicionais da Ilha de Santa Catarina e região.
“Invento” dos açorianos chegados entre 1748 e 1756 ao litoral catarinense e Rio Grande do Sul, os engenhos são o resultado das adaptações e adequações das conhecidas atafonas do trigo com os processos indígenas de manipulação da mandioca. “Foi uma tecnologia revolucionária na época”, garante o professor Nereu do Valle Pereira, autor de “Os engenhos de farinha de mandioca na ilha de Santa Catarina” (Florianópolis: Fundação Cultural Açorianista, 1993). Isso tornou nosso Estado o maior produtor nacional de farinha de mandioca por quase dois séculos, com qualidade admirável.
A década de 60 do século passado foi o momento de inflexão dessa produção, com a diminuição cada vez maior da atividade. Em Santo Antônio de Lisboa o engenho erguido em 1860 e que ficou nas mãos da família Andrade, teve sua grande última farinhada,
nos moldes tradicionais, em 1987. Depois disso as atividades diminuíram até que o engenho perdeu a característica original (atividade econômica), transformando-se aos poucos em peça de resistência cultural e referencial de memória.
O imóvel dos Andrade na Praia Comprida foi tombado como patrimônio histórico-cultural pelo Município em 1995. Em 2000 foi a vez do Estado reconhecer o valor das edificações (residência e engenho). O processo visando o tombamento federal tramita no Iphan.
O passo seguinte foi a idealização da Divina Farinhada, em 1998, abrindo as festividades anuais do Divino Espírito Santo. Isso estimulou o ressurgimento de engenhos em outros bairros do distrito e em localidades da Ilha. Na seqüência, apareceram as carreatas de boi, outra manifestação de resistência cultural rural.
Na Barreira (Santo Antônio) ressurgiu há 10 anos o engenho de Djalma Dias, o mesmo que por quase um século esteve nas mãos da família Damasceno. O mesmo aconteceu na Barra do Sambaqui, onde Amauri dos Santos assumiu a responsabilidade por manter a tradição. Até então Amauri atuava no engenho de seu irmão, Aurino dos Santos, que foi vendido.

 

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