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Archive for agosto \24\America/Sao_Paulo 2011

por Gabriella Pieroni (Ponto de Cultura Engenhos de Farinha)

Domingo frio com muito sol e vento sul. Segundo os nativos da Costa da Lagoa, este é o clima ideal para se acender o forno e fornear a farinha de mandioca artesanalmente, lembrando os invernos do “tempo dos antigos”.

Desta forma foi celebrada mais uma tradicional “Farinhada” da Costa da Lagoa, movendo com muita alegria o último Engenho que resiste na comunidade e agrega a cada ano nativos, estusiastas e visitantes no ritual da farinha artesanal.

O Engenho da Vila Verde foi construído em meados do século XIX  por descendentes açorianos e já fez parte do cotidiano de muitas famílias da rede de parentesco Ramos, que montavam seu acampamento todos os invernos revezando-se nas mais variadas etapas da produção. Com a decadência da produção de farinha artesanal, esta cultura passou por um período de abandono, mas foi revitalizada pela formação da Associação Engenho, iniciativa dos novos proprietários do espaço que visavam preservá-lo e levar adiante a tradição da comunidade.

Durante quase duas décadas, esta Associação promoveu também a “Festa da Farinha da Costa da Lagoa”, unindo os esforços tanto dos nativos quanto dos novos moradores. Fascinados pelo ritual do feitio que transforma artesanalmente a mandioca em vários alimentos, toda esta gente reveza-se na cangalha para rodar a grande roda e produzir a fartura da mandioca.

A chamada “tração humana” já é uma identidade da festa, reinvenção lúdica da tradição que se tornou símbolo do esforço coletivo para a renovação desta cultura. Neste domingo, a festa representou a terceira edição organizada pela iniciativa da família que descende dos antigos proprietários do engenho, com o apoio do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, que iniciou uma nova fase de revitalização do Engenho da Vila Verde em conjunto com a comunidade, além da promoção de oficinas que valorizem estes saberes tradicionais.

No movimento constante do Engenho, que não pode parar, passaram pela “canga” trios de crianças, jovens crescidos neste engenho, antigos apaixonados e  ainda turistas desavisados, que passeavam pelo caminho da Costa da Lagoa. Pouco a pouco,“todo mundo fica velhindo”, nas palavras do tradicional forneiro do engenho, o Zico, referindo-se à farinha que sobe no ar corando de branco os cabelos e a pele.

A festa deste ano contou também com a apreciação de comidas típicas, muita música (de chorinho a ritmos populares, incluindo composições inspiradas na Farinhada), uma oficina teórico-prática de feitio artesanal de farinha e a exibição de fotos e vídeos produzidos pelo Ponto de Cultura. O trabalho e a brincadeira se misturaram em meio às várias gerações, sempre com a esperança que este engenho nunca deixe de rodar, cumprindo sua função de escola da farinha em meio às transformações da comunidade.

Clique na imagem abaixo para abrir o álbum da Farinhada

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O Engenho da Costa da Lagoa, localizado na Vila Verde, é o último remanescente na região da Bacia da Lagoa. Funciona de modo bem particular: movido à força-motriz humana. Todos os anos, a comunidade se reúne para fazer a tradicional Farinhada, visando a união comunitária, a preservação da cultura popular e a produção de alimento tradicional de boa qualidade.

Através do ponto de Cultura Engenhos de Farinha, o Engenho da Costa será revitalizado, reafirmando seu espaço como referência histórico-cultural e possibilitando a disseminação dos saberes tradicionais através de oficinas e outros eventos.

A Farinhada acontece no domingo (21/08), e contará com comidas típicas, forneio da Farinha, exibição de vídeos, mostra de telas e apresentação de um duo de chorinho.

Venham prestigiar esta Festa – e fazer girar o motor vibrante da cultura popular açoriana e brasileira!

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