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Archive for fevereiro \08\UTC 2012

por Gabriella Pieroni; fotos: Fernando Angeoletto e Zeca Trindade

 

Terra Madre 2011 – Ponto de Cultura Engenhos de Farinha e Slow Food

A oficina de melado e açúcar oferecida pelo agricultor Celso Gelsleuchter reuniu várias gerações na manhã do Dia da Terra Madre em Angelina, movimentando o engenho à roda d’água, peculiar atração do sítio Recanto da Amizade. O processo iniciou antes do nascer do sol enquanto as Vans com os convidados pegavam a estrada para viver a doce experiência. Sr. Celso foi o primeiro a despertar no sítio para providenciar os preparativos do ritual do feitio, seguido de seus filhos Márcio e Ricardo e do neto Juliano. Quando os participantes da oficina chegaram ao Engenho, a roda d’água já tocava a moenda de cana deixando escorrer a garapa fresquinha.

A primeira mesa do dia foi servida entre as peças do engenho para apreciação de um café da manhã com produtos típicos. A oficina transportou os presentes ao mundo das engrenagens e saberes que envolvem os detalhados procedimentos do feitio artesanal do açúcar. Sr. Celso mantêm a plenos giros o trabalho e transmite à sua maneira os segredos desta arte para a família e convidados nas atividades do Ponto de Cultura. O melado e açúcar, juntamente com a farinha são comercializados na própria comunidade e nos grupos de compras coletivas de Florianópolis.

Alguns consumidores destes grupos  participaram da oficina e tiveram a oportunidade de acompanhar  o processo de fabricação do açúcar e melado que consomem em suas casas e apartamentos. Encantados, atentos e curiosos os participantes circulavam pelo engenho trocando impressões, registrando as etapas e degustando o caldo da cana recém moída. As narrativas do passado e fenômenos do presente surgiram num agradável bate-papo onde os participantes puderam expor dúvidas e trocar experiências. A ocasião marcou também o encontro entre três mestres farinheiros do Ponto de Cultura, Sr. Biega do engenho de Garopaba, Sr. Osmar do Engenho de Paulo Lopes e o anfitrião Sr. Celso, que passaram grande parte de suas vidas entre os engenhos e o trabalho na terra, sendo cúmplices quase únicos naquela manhã. As oficinas do Ponto de Cultura deverão seguir nos respectivos engenhos durante todo o ano de 2012!

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por Gabriella Pieroni; fotos: Fernando Angeoletto

Terra Madre 2011 – Ponto de Cultura Engenhos de Farinha e Slow Food

O dia 04 de dezembro foi escolhido para reunir em torno de uma só mesa uma variedade de propostas, alimentos e comunidades na celebração do Terra Madre Day 2011 em Santa Catarina. A data que comemora o alimento local foi reafirmada no sítio da família Gelsleuchter, onde se encontra um dos engenhos do Ponto de Cultura. Pelas colinas hídricas de Angelina chegaram através de diversos itinerários as matérias-primas que desenham este estado em toda sua pluralidade: o berbigão, os peixes e as ostras do litoral, o pinhão da serra, os molhos de tomates orgânicos da AGRECO, o spaghetti de palmito desfiado do norte do estado, o bijú e demais delícias dos engenhos de Florianópolis, Palhoça, Paulo Lopes e Garopaba, além de variados quitutes e pães vindos das comunidades vizinhas. Destaque também para a cerveja artesanal AVATAR, feita em escala diminuta e com ingredientes selecionados no Canto da Lagoa em Florianópolis.

Os anfitriões Celso e Catarina Gelsleuchter, juntamente com os filhos e netos, receberam de forma prazerosa e dedicada as caravanas vindas de muitas regiões do estado. O TERRA MADRE DAY (proposta do SLOW FOOD) envolve desde 2004 comunidades de 160 países para celebrar o alimento local, com a máxima do “Bom, limpo e justo: bom para o paladar, limpo para homens, animais e natureza, e justo para produtores e consumidores”. O Ponto de Cultura Engenhos de Farinha assumiu  a data, junto ao SLOW FOOD, como parte de seu calendário de atividades.

A parceria reconhece uma teia que vêm se articulando por uma produção alimentar baseada nas economias locais, respeito ao meio ambiente, conhecimentos tradicionais e biodiversidade. A valorização das culturas tradicionais também é referência para os Pontos de Cultura espalhados por todo o país, que fundem a elas marcas do processo histórico recente das comunidades e novas tecnologias. Este laço entre cultura e sustentabilidade esteve vibrando em todas as manifestações do Dia da Terra Madre 2011, das atrações oficiais às interações informais propiciadas.

O encontro teve início com uma oficina de feitio artesanal do melado e açúcar sob a responsabilidade de Celso Gelsleuchter, mantenedor dos saberes relacionados ao Engenho tocado à roda d’água. A família anfitriã somou os produtos do seu sítio a iguarias vindas de toda a vizinhança. Recebidos pelas mãos dos chefs de cozinha do SLOW FOOD estes alimentos ganharam especiais combinações na cozinha do sítio, transformando o cardápio do dia numa bela homenagem aos frutos da mãe terra e seus guardiões.

O almoço, sem dúvida, foi o destaque do encontro. As intervenções ecogastonômicas apresentaram-se à mesa para apreciação de todos os sentidos, enquanto eram degustadas ao som do chorinho do Duo de Choro Dois por Quatro, músicos convidados para compor as atrações do dia. A tarde seguiu com um Seminário onde praticamente todas as matérias-primas envolvidas nas degustações estavam na pauta de discussão.

Ao todo foram 1022 eventos realizados pelo mundo, organizados em aldeias, propriedades rurais ou parques urbanos. Através de jantares, protestos ou pique-niques, mais de 190.000 pessoas fizeram o TERRA MADRE DAY em  2011.  Em Angelina, cerca de 110 pessoas estiveram presentes representando as famílias da Rede dos Engenhos, os Convivia do Pinhão, Berbigão e Mata Atlântica, os grupos de economia solidária da capital, projetos de agroecologia do CEPAGRO, entre outros participantes. O documentário ¨Velho Engenho Novo” do Ponto de Cultura foi exibido pela primeira, vez causando emoção entre seus personagens presentes. O trabalho também retrata a ida dos anfitriões Celso e Catarina Gelsleuchter à Itália no Encontro Mundial da rede Terra Madre em 2010, marco histórico para o movimento e em suas vidas.

De volta à mesa  o evento se encerrou num café-mosaico de produtos típicos de engenho, em sua maioria feitos a partir da mandioca. Os participantes se despediram com enorme entusiasmo em relação às vivências e degustações do dia e principalmente pelo fortalecimento das redes do estado que compõem o Terra Madre. Até 2012!

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por Gabriella Pieroni; fotos: Fernando Angeoletto

Não foi apenas a mesa do Terra Madre que estava apetitosa e diversificada, mas também os debates do Seminário ponto de Cultura e Slow Food que se seguiu. Digerir os alimentos em suas histórias, tradições e desafios foi a missão da tarde em Angelina no Seminário que ocorreu logo após o almoço. Os temas das falas contemplaram a produção e extrativismo de alimentos da agricultura familiar, o Circuito de Comercialização da Rede Ecovida, a importância da ecogastronomia e culturas tradicionais no processo e ainda a gestão comunitária de resíduos orgânicos, abrangendo a cadeia alimentar em todas as suas etapas.

O Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, como entrelaçador da discussão, reforçou a prioridade da união de seus aspectos ambientais, sociais e culturais. Os anfitriões Celso e Catarina Gelsleuchter abriram as falas situando a história do sítio às propostas do evento. Catarina destacou a importância de receber o Terra Madre Day em sua propriedade que, além de fazer parte da rede dos Pontos de Cultura, é também produtora de alimentos orgânicos e fornecedora de compras coletivas, e tem propostas em agroturismo para o sítio. “Este espaço é um sonho antigo porque sempre acreditei no agroturismo” compartilhou Catarina.

O Chef de cozinha e líder do recém formado Convivium Mata Atlântica Philippe Belettini, em tom bastante emocionado, narrou um pouco da história da rede à qual pertence, suas lutas e propostas. A serra catarinense foi representada pela equipe do “Convivium do Pinhão” com apresentação dos trabalhos lá desenvolvidos e calorosa discussão sobre o futuro do extrativismo do pinhão e seus impactos nas comunidades da serra. Motivados pela recente união , os Coletivos ErvILHA e Compras Coletivas da ilha apresentaram em bloco suas experiências na economia solidária focando as relações com cooperativas de produtores artesanais e orgânicos. O Circuito de Comercialização da Rede Ecovida despertou muito interesse entre os presentes e trouxe ao público esclarecimentos sobre as políticas públicas e o futuro da agroecologia na região sul.

Os comunicadores, além de estarem participando de forma ativa na programação do dia, fornecendo alimentos e “colocando a mão na massa”  tiveram espaço no local para divulgação e comercialização de seus projetos e produtos. As falas foram intercaladas com  contribuições do público numa conversa interessada em reforçar a integração do trabalho das redes presentes. Apesar de tratar de temas tão relevantes, as apresentações se desenrolaram na espontaneidade da vida no campo, deixando fluir oportunidades e parcerias. E é claro, inspiradas pelo ar fresco vindo do belíssimo cenário das matas e rios que circundam o Engenho de Angelina!

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