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Archive for dezembro \09\America/Sao_Paulo 2013

texto e fotos Carú Dionísio

cartaz-debate-WEB

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“Eu não sei se sou obeso, eu sou?”, pergunta o estudante Nathan da Luz, de 10 anos. Intrigado com as informações do documentário Muito Além do Peso que relacionam a obesidade com vários problemas de saúde, o menino quer saber como poderia avaliar sua massa corporal. O filme foi exibido na escola de Nathan – a EBM Dilma Lúcia dos Santos, na Armação, em Florianópolis – durante o quarto seminário do ciclo Patrimônio Agroalimentar em Debate, promovido pelo Ponto de Cultura Engenhos de Farinha/Cepagro e PdC Baleeira na última terça, 3 de dezembro. Com o tema Sul da Ilha unido pela Segurança Alimentar, o evento reuniu alunos e professores da escola, nutricionistas, representantes dos conselhos municipais e estaduais de Segurança  Alimentar e Nutricional e de Alimentação Escolar, além da Secretaria Municipal de Educação e da Rede Ecovida de Agroecologia e membros da comunidade local para aprender mais e discutir a qualidade da alimentação no contexto escolar.

A equipe do PdC e a nutricionista Ellen Magagnin discutem o filme "Muito Além do Peso" com os alunos da EBM Dilma Lúcia dos Santos

A equipe do PdC e a nutricionista Ellen Magagnin discutem o filme “Muito Além do Peso” com os alunos da EBM Dilma Lúcia dos Santos

A preocupação de Nathan não é isolada: uma pesquisa recente do Departamento de Nutrição da UFSC aponta que a obesidade já alcança quase 10% das crianças de 6 a 10 anos em Santa Catarina. Só em Florianópolis, 18% dos meninos e meninas nesta faixa etária apresentam sobrepeso, mostrando como a ingestão mínima (e, como mostrou o documentário, muitas vezes excessiva) de calorias nem sempre é sinônimo de alimentação de qualidade. A Lei das Cantinas, que proíbe a venda de salgadinhos industrializados, chicletes e refrigerantes nas escolas de educação básica e foi aprovada em 2001, já visava combater os malefícios do consumo destes alimentos pelos estudantes. “Mas eles ainda são vendidos em frente da escola, sem falar na propaganda que as crianças veem na TV. Além disso, são alimentos baratos e gostosos”, afirma a nutricionista da SEPAT (empresa que presta assessoria nas unidades educacionais da Prefeitura de Florianópolis) Ellen Magagnin. “Educação alimentar ainda é um trabalho de formiguinha”, completa Ellen, que mediou o debate sobre Muito Além do Peso com quase 80 alunos do 2º ao 5º ano da escola durante o evento.

Algumas informações do documentário, como a quantidade excessiva de açúcar presente nos refrigerantes e a gordura nos salgadinhos industrializados, chamou a atenção dos estudantes.

Algumas informações do documentário, como a quantidade excessiva de açúcar presente nos refrigerantes e a gordura nos salgadinhos industrializados, chamou a atenção dos estudantes.

Brincar e fazer oficinas com a comida já contribui bastante para este trabalho, de acordo com a nutricionista Etel Matielo, que atende os centros de saúde do Sul da Ilha e também debateu o documentário com os estudantes, mas na parte da tarde. “É importante trazer magia para a alimentação, desafiando as crianças a provar coisas novas em brincadeiras e oficinas. Mas o principal é garantir o acesso ao alimento saudável”, avalia a nutricionista. Buscando desenvolver esta reflexão lúdico-pedagógica sobre os alimentos, o PdC Engenhos de Farinha vem realizando as Oficinas do Gosto durante suas atividades. Neste seminário não foi diferente: depois de assistir ao documentário, as crianças experimentavam os aromas e texturas de diversos alimentos, acompanhadas pela equipe do PdC: Gabriella Pieroni, Flora Castellano e Rafael Beghini.

Aguçar os cinco sentidos através dos alimentos é um dos objetivos das Oficinas do Gosto, atividade de educação alimentar que o PdC vem realizando

Aguçar os cinco sentidos através dos alimentos é um dos objetivos das Oficinas do Gosto, atividade de educação alimentar que o PdC vem realizando

Descobrindo os alimentos através do tato

Descobrindo os alimentos através do tato

O evento foi uma oportunidade para experimentar novos sabores na merenda escolar, comemorando também o Terra Madre Day, a celebração anual do Movimento Slow Food do alimento bom, limpo e justo. Os chefs do Convivium Mata Atlântica/Slow Food Philipe Bellettini e Fabiano Gregório coordenaram a preparação do almoço e do lanche da tarde da escola, utilizando exclusivamente ingredientes orgânicos. Hambúrguer de beterraba com pesto, risoto de espinafre com cenoura e salada de alface com morango foram alguns dos pratos que trouxeram outro colorido para o refeitório e despertaram a curiosidade das crianças. 

Hamburguer de beterraba, risoto de espinafre com cenoura e salada de alface com morango foram alguns dos pratos inventados pelos chefs do Slow Food que despertaram a curiosidade das crianças

Hamburguer de beterraba, risoto de espinafre com cenoura e salada de alface com morango foram alguns dos pratos inventados pelos chefs do Slow Food que despertaram a curiosidade das crianças

O estudante Eduardo Homem, de 8 anos, diz que quer se chef quando for adulto. Seu interesse o levou à cozinha da escola, onde o graduando em Gastronomia Diogo Pires lhe mostrou um pouco da preparação do almoço Slow-Food.

O estudante Eduardo Homem, de 8 anos, quer ser chef quando for adulto. Seu interesse o levou à cozinha da escola, onde o graduando em Gastronomia Diogo Pires lhe mostrou um pouco da preparação do almoço Slow-Food.

A maioria dos ingredientes eram do Box 721 da Ceasa/SC, assim como da Rede de Engenhos Artesanais de Farinha de Mandioca. “Também usamos berinjelas, cenouras, cebolinha e alface da horta da escola”, conta Fabiano. Ambos estavam cozinhando numa escola pela primeira vez, e avaliaram positivamente a vivência: “A recepção das merendeiras foi ótima, elas demonstraram muito interesse na troca de experiências e isso foi fundamental para o sucesso do evento”, afirma Philipe. Além da equipe da escola e dos slow-chefs, dois graduandos em Gastronomia da Assesc também participaram do preparo das refeições. Um deles era Diogo Pires, que afirma que “estes eventos são importantes para desconstruir o glamour da profissão de chef, para que os estudantes possam se envolver mais com o lado social dela”.

A equipe de merendeiras da escola, slow-chefs e graduandos em Gastronomia que prepararam o almoço do dia, junto com a coordenadora do PdC Gabriella Pieroni

A equipe de merendeiras da escola, slow-chefs e graduandos em Gastronomia que prepararam o almoço do dia, junto com a coordenadora do PdC Gabriella Pieroni

A importância da segurança alimentar na escola não foi afirmada só no refeitório da EBM Dilma Lúcia dos Santos, mas pautou também o painel da tarde, que reuniu representantes do Consea (Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional), do CAE (Conselho Estadual de Alimentação Escolar), do COMAE (Conselho Municipal de Alimentação Escolar), da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis, da Rede Ecovida de Agroecologia e do Box 721 da Ceasa.

"É preciso desmistificar a noção de o que é saudável não é gostoso", afirmou a nutricionista Sanlina Hulse, coordenadora do Programa Educando com a Horta Escola e a Gastronomia em Florianópolis. Ela trouxe várias informações sobre a legislação que envolve a alimentação escolar, mostrando como o fornecimento de produtos pode ser um tema delicado. "Todos os alimentos podem conter perigos físicos, químicos e biológicos", afirma.

“É preciso desmistificar a noção de o que é saudável não é gostoso”, afirmou a nutricionista Sanlina Hulse, coordenadora do Programa Educando com a Horta Escola e a Gastronomia em Florianópolis. Ela trouxe várias informações sobre a legislação que envolve a alimentação escolar, mostrando como o fornecimento de produtos pode ser um tema delicado. “Todos os alimentos podem conter perigos físicos, químicos e biológicos”, afirma.

O agricultor José Furtado, de Garopaba, fornece pão, geleia, frutas e hortaliças para a merenda escolar do seu município. Sua propriedade, 100% ecológica, é certificada pela Rede Ecovida de Agroecologia.

O agricultor José Furtado, de Garopaba, fornece pão, geleia, frutas e hortaliças para a merenda escolar do seu município. Sua propriedade, 100% ecológica, é certificada pela Rede Ecovida de Agroecologia. “Seria ótimo se os municípios comprassem mais produtos orgânicos para as escolas. Em Garopaba é assim, quando minha filha for para a escola eu vou saber que ela está comendo algo sem veneno”, disse.

Flora Goudel, articuladora de comercialização do Cepagro, falou sobre as possibilidades e limites do fornecimento de produtos orgânicos para a alimentação escolar via Box 721 da Ceasa. Ela avalia que a logística de distribuição - que pressupõe a entrega de itens em 120 pontos diariamente - é um dos principais entraves.

Flora Goudel, articuladora de comercialização do Cepagro, falou sobre as possibilidades e limites do fornecimento de produtos orgânicos para a alimentação escolar via Box 721 da Ceasa. Ela avalia que a logística de distribuição – que pressupõe a entrega de itens em 120 pontos diariamente – é um dos principais entraves.

O painel foi seguido por um momento especial, em que 4 empreendedores do Sul da Ilha foram homenageados por suas diferentes contribuições para a Segurança Alimentar e Nutricional na região: João Argenta, representando o Mercado Morro das Pedras, que compra produtos do Box 721 da Ceasa; o casal Marilene e Valdir Vieira, donos do restaurante Vieira que serve pescado e cerveja artesanais locais; Myrian Luiz, produtora com uma banca no Sacolão do Sul da Ilha e também organizadora da Feira dos Cacarecos da Armação e Pavitrii Silva, dona do empório e restaurante Flor do Grão, no Campeche.

Homenageada durante o seminário, a produtora Myrian Luiz afirma que pretende organizar uma feira de produtos orgânicos na Armação. "Não para ganhar dinheiro, mas para termos acesso ao alimento saudável", afirma.

Homenageada durante o seminário, a produtora Myrian Luiz afirma que pretende organizar uma feira de produtos orgânicos na Armação. “Não para ganhar dinheiro, mas para termos acesso ao alimento saudável”, afirma.

O casal Valdir e Marilene mantém o restaurante Vieira há 36 anos. "Priorizamos o pescado artesanal da Armação", conta a empresária.

O casal Valdir e Marilene mantém o restaurante Vieira há 36 anos. “Priorizamos o pescado artesanal da Armação”, conta a empresária.

O Seminário também marcou a celebração do Terra Madre Day.

O Seminário também marcou a celebração do Terra Madre Day.

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