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Archive for janeiro \08\America/Sao_Paulo 2014

Nos dias 13 e 14 de dezembro, os participantes do curso de audiovisual do PdC conheceram o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e fizeram um recorrido do Rio da Madre para mais uma etapa de gravação do documentário “Patrimônios da Terra”. Baseado nas categorias do IPHAN sobre patrimônio material e imaterial, o vídeo abordará os saberes, modos de fazer e lugares tradicionais da comunidade das Três Barras, na zona rural de Palhoça, onde vivem os jovens documentaristas. O curso é uma continuidade das Oficinas Itinerantes de Vídeo do PdC iniciadas em 2012 com o objetivo de promover o diálogo entre diferentes gerações sobre práticas e saberes relacionados à subsistência e ao manejo da biodiversidade que estão sendo perdidos.

 A equipe de documentaristas do curso "Patrimônios da Terra" ministrado pelo PdC e Vagaluzes Filmes

A equipe de documentaristas do curso “Patrimônios da Terra” ministrado pelo PdC e Vagaluzes Filmes

João Victor e Elaine gostam mais de ficar atrás das câmeras. Escutam atentamente as explicações sobre movimentação e enquadramento, apontando as lentes para tudo o que lhes chama a atenção. Já Lucas prefere aparecer, mas também quer aprender mais sobre roteiro para começar a produzir vídeos que serão postados no YouTube.

João Victor gostou de ser cameraman

João Vitor gostou de ser cameraman

Os três jovens, com idades de 10 a 22 anos, estão participando do curso “Patrimônios da Terra: educação patrimonial através da experiência audiovisual”, ministrado pela equipe do PdC e da produtora Vagaluzes Filmes na Escola Reunida Profº Bento do Nascimento, na comunidade de Três Barras, zona rural de Palhoça. O grupo reúne crianças e adolescentes dali e de Morretes (outra comunidade próxima). Desde outubro de 2013 eles vêm aprendendo tanto noções teórico-práticas de audiovisual quanto sobre os conceitos de patrimônio material e imaterial, cultural e natural. Bem mais do que um período de gravações, as atividades dos dias 13 e 14 foram intensas experiências interdisciplinares. Com a monitoria da professora de Geografia Jaqueline Prudêncio, junto com a coordenadora do PdC Gabriella Pieroni e a cineasta Sandra Alves (Vagaluzes), a saída de campo começou com uma leitura coletiva da paisagem do entorno da sua comunidade das Três Barras.

Construindo a percepção da paisagem coletivamente

Construindo a percepção da paisagem coletivamente

A lagoa em formato de coração de onde sai o Rio da Madre (que desemboca na Guarda do Embaú), parte da Serra do Tabuleiro, a BR-101 e o município de Paulo Lopes foram alguns dos pontos de referência identificados pela profª Jaqueline para orientar a discussão sobre patrimônio natural e cultural e os impactos sobre estes do atual modelo de desenvolvimento da região. “É importante pensarmos a relação entre a natureza e as intervenções humanas para entendermos que a paisagem também tem história”, completou Gabriella. Além da ideia de patrimônio natural, Gabriella e Jaqueline trabalharam com os jovens as noções de patrimônio cultural que aquela paisagem envolve, representada pelas práticas de pesca artesanal e da agricultura familiar, por exemplo. “Antigamente a pesca tinha regras para não degradar o recurso pesqueiro. As comunidades sabiam utilizar a natureza, conservando-a”, contou Jaqueline.

Aprendendo mais sobre movimentação de câmera e enquadramento

Aprendendo mais sobre movimentação de câmera e enquadramento

Do mirante a equipe seguiu para o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, onde conversaram com a educadora ambiental Haliskarla de Sá sobre a história do parque e sua importância para a preservação do meio-ambiente. Haliskarla também esclareceu as questionáveis estratégias de crescimento baseadas na industrialização que resultaram na venda da áreas do Parque para a Gerdau, por exemplo. “Em vez de uma ‘Área de Proteção Ambiental’ do entorno costeiro, o que vemos hoje é uma ‘Área de Proteção Aparente’. Estão fatiando a baixada do Maciambú para atender a interesses corporativos e empresariais”, afirmou Haliskarla. “Sendo que baixada é um monumento geológico privilegiado para estudar o recuo do mar nos últimos 5 mil anos”, completou. “A gente tem que saber de tudo isso para dizer ‘esse patrimônio é meu’ e evitar que outras decisões erradas sejam tomadas”, avaliou Lucas após a explicação.

O grupo durante a conversa com a educadora ambiental Haliskarla de Sá, no Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro

O grupo durante a conversa com a educadora ambiental Haliskarla de Sá, no Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro

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Nenhum detalhe escapa ao olhar atento dos jovens documentaristas

No segundo dia da atividade, a equipe saiu da Guarda do Embaú em duas lanchas e percorreu todo o Rio da Madre até a Lagoa do Ribeirão. Entrevistaram pescadores e conheceram mais sobre o ecossistema daquela área, que vem sendo ameaçada tanto pelo crescimento urbano desordenado quanto pela contaminação dos cursos de água com agrotóxicos utilizados nas lavouras de arroz do entorno.

rio da madre

A equipe em ação

entrevista

Elaine entrevista um pescador

O próximo passo é a edição do material gravado nas três saídas de campo (eles também visitaram um engenho de farinha em novembro) e montagem do vídeo. A vivência do curso despertou o interesse de alguns dos participantes em continuar trabalhando com audiovisual. Lucas Rossenque e Elaine Rogério, por exemplo, querem produzir uma séria de vídeos para serem postados no YouTube sobre a vida cultural nas Três Barras. “Queremos que as pessoas fiquem sabendo o que rola de forma divertida. É interessante fazer essa divulgação para não perder essa cultura que a gente tem”, explica Lucas. “Tentaremos recuperar coisas que estão morrendo, como os engenhos”, conta Elaine. Eles batizaram a série de “Babados”. Mesmo sem uma câmera própria na mão, a dupla não deixa de ter ideias na cabeça para novos projetos cinematográficos.

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