Feeds:
Posts
Comentários

Archive for junho \12\UTC 2017

A chuva fria e insistente que caía naquele domingo, 28 de maio, não desanimou o pessoal da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha para mais um encontro, realizado nesse dia no Engenho da Família Gelsleuchter, em Angelina (SC). Engenheiras e engenheiros de Angelina, Florianópolis, Garopaba e Imbituba marcaram presença para seguir articulando a rede. As discussões circularam em torno de dois eixos principais: “Comercialização de produtos e serviços dos engenhos” e “Educação e cultura”. Também foi desenhado um calendário de farinhadas, cuja temporada começa agora em junho, além de um aprofundamento do mapeamento de engenhos iniciado no encontro de Imbituba, em janeiro.

Acostumados a receber visitantes na propriedade, especialmente durante a farinhada, o casal anfitrião Catarina e Celso Gelsleuchter estavam mais do que contentes em acolher a formação de mais uma Rede. Participante também da Rede Ecovida de Agroecologia, Catarina afirma que a articulação em rede “ajuda a levantar nossa auto-estima. Hoje, mais do que nunca, eu tenho orgulho de dizer que sou agricultora”.

Dentro do engenho e na mira das lentes, Celso contou um pouco da história do lugar. Movido por uma roda d’água – engrenagem que gerou muita curiosidade entre os parceiros de Garopaba e Imbituba – o engenho foi construído há 75 anos pelo pai dele. Celso, hoje com 69 anos, contou com o incentivo da família e o apoio do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha e da Rede Ecovida para seguir nas atividades. “E nossos filhos estão aqui hoje. Ainda não fazem farinha igual o Celso, mas já sabem fazer”, conta, com orgulho, Catarina.

Antes da visita ao engenho, entretanto, a equipe articuladora da Rede fez apresentações importantes para compreender a trajetória dos trabalhos. A economista Manuela Braganholo apresentou a prestação de contas do uso do recurso do Prêmio do IPHAN que vinha custeando os encontros até então.

A educadora Giselle Miotto trouxe um panorama sobre os encontros da Rede, que (re)começaram em dezembro do ano passado. Junto com a historiadora Gabriella Pieroni, falaram também sobre o projeto “Ponto de Cultura Engenhos de Farinha 2.0”, selecionado pela Secretaria de Estado de Esporte, Turismo e Cultura (SOL) para receber mais um prêmio, que viabilizará a realização de mais 5 encontros e oficinas da Rede. Elas também apresentaram os pontos de contato da Rede com o Movimento Slow Food.

A articulação entre Slow Food, Universidade Federal de Santa Catarina e a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário deu origem ao projeto “Alimentos bons, limpos e justos: ampliação e qualificação da participação da agricultura familiar brasileira no Movimento Slow Food”, que também apoiou este encontro. Os participantes do projeto Alexandre Pires Lage, Flora Castellano e Pedro Xavier da Silva facilitaram a elaboração de uma matriz de Fortalezas, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças (FOFA) sobre a Comercialização de Produtos e Serviços dos Engenhos, considerando a produção, o processamento, a distribuição e o consumo. Esta foi uma das atividades em grupo do encontro, que buscou mapear os impulsionadores e obstáculos para produção e venda da farinha de mandioca artesanal.

Demanda por farinha de mandioca orgânica, definição do custo de produção, estabelecimento de preço mínimo e a possibilidade de uma certificação diferenciada para os produtos de engenho foram alguns dos temas discutidos, junto com muita troca de experiências sobre cultivares e variedades de mandioca. Sobre os entraves, o agricultor da Rede Ecovida Antônio Augusto avalia que “O que parece uma ameaça para um indivíduo, no trabalho em rede pode ser uma oportunidade”. Ou como disse o Secretário de Agricultura de Imbituba, Evaldo Espezim, que apoiou a vinda do grupo da ACORDI ao evento: “Toda oportunidade vai gerar um desafio num primeiro momento”. Por outro lado, um dos principais potenciais identificados ali é o fato de que praticamente toda a produção de mandioca dos integrantes daquele grupo é agroecológica.

No outro grupo, em que se discutiram aspectos de Educação e Cultura, a conversa começou com memórias de sabores e receitas dos engenhos, elementos que podem compor um inventário para pedir o registro dos engenhos de farinha artesanais como Patrimônio Imaterial junto ao IPHAN. Outros dados importantes para construir esse quadro foram levantados na ficha de mapeamento que os e as participantes preencheram durante o Encontro, junto com a equipe articuladora da Rede. A ficha busca levantar informações sobre a história dos engenhos, mão de obra, tipos de roça, produção, comercialização e serviços disponíveis, além do uso culinário dos produtos.

Nesse eixo de trabalho voltado ao Patrimônio, o próximo passo da Rede é construir uma estratégia para definir o que será registrado, que envolve reunir e mapear toda documentação – em fotos, textos e outros registros – que os membros possuem sobre os engenhos e a produção de farinha de mandioca, com todas as suas peculiaridades e especificidades. Os encontros realizados a partir do segundo semestre deste ano com apoio da SOL servirão para juntar todo este material. Antes disso, a 14ª Feira da Mandioca de Imbituba, promovida pela ACORDI de 23 a 25 de junho, será um dos principais eventos da Rede ainda nesse semestre.

Nos vemos lá!

Anúncios

Read Full Post »