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Archive for abril \18\America/Sao_Paulo 2018

A coordenadora do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, Gabriella Pieroni, foi uma das convidadas para a Mesa Redonda Conexões Culturais, que aconteceu na sexta-feira, 13 de abril, e debateu a importância da Educação Patrimonial como fomento à participação social. O evento faz parte das Jornadas Patrimoniais de Santa Catarina, promovidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura. O debate reuniu cerca de 60 pessoas, entre estudantes, historiadores, professores e profissionais autônomos.

Gabriella PieroniSob a preservada arquitetura barroca e neoclássica do Palácio Cruz e Souza, Gabriella apresentou a Rede Catarinense de Engenhos de Farinha e a proposta de registrar os engenhos como Patrimônio Imaterial. Entre as convidadas também estavam Sônia Florêncio, coordenadora de Educação Patrimonial do Iphan, Maria Goretti Tavares, coordenadora do Grupo de Pesquisa de Geografia do Turismo da Faculdade de Geografia da UFPA e Janice Gonçalves, coordenadora do Laboratório de Patrimônio Cultural da UDESC.

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Sônia Florêncio abriu o evento apresentando as diretrizes da Educação Patrimonial do Iphan. Ela enfatizou a importância da participação social no processo de patrimonialização. Para ela, as políticas públicas são necessárias, mas o Estado não deve ser o protagonista desse processo, ele deve ser feito em rede, em constante diálogo com a comunidade e com afetividade. Sônia também apresentou a metodologia de educação patrimonial elaborada pelo Iphan, que começa com o levantamento e identificação do patrimônio histórico junto à comunidade local.

Foi a partir dessa metodologia do Iphan que a Rede de Engenhos começou o processo de mobilização social para o reconhecimento dos engenhos como patrimônio imaterial. A Rede vem fazendo visitas nos engenhos de Garopaba, Imbituba, Paulo Lopes, Angelina e outras cidades onde realiza oficinas com os agricultores e media o diálogo sobre a preservação das práticas culturais dos engenhos de farinha. Sempre deixando o protagonismo desse diálogo para os agricultores e trabalhando em rede.

Janice GonçalvesEntre os principais aspectos debatidos ao longo da tarde estiveram a importância dos projetos locais de preservação da cultura e da participação social na educação patrimonial.  Janice Gonçalves, do Laboratório de Patrimônio Cultural da UDESC, apresentou dois projetos que coordena: a Rede Specula, um portal que disponibiliza informações sobre os bens culturais catarinenses protegidos por tombamento ou registro, e o projeto Patrimônio Passo-a-passo, que realiza roteiros a pé pelo centro histórico de Florianópolis. A proposta desses roteiros é ter uma percepção diferente do centro, não prestando a atenção somente nos prédios tombados pelo Patrimônio, mas outros aspectos arquitetônicos, culturais e mesmo modernos da região. Janice ressaltou a importância do encantamento que, para ela, é um fator essencial no processo de valorização de patrimônios históricos.

No caso dos engenhos, a Rede percebeu essa necessidade de despertar o encantamento dos jovens para a importância desses espaços e os conhecimentos relacionados a eles, e promoveu oficinas audiovisuais onde os próprios jovens registraram atividades como a produção da farinha de mandioca. Gabriella frisou a importância do reconhecimento dos agricultores e das comunidades que vivem no entorno dos engenhos, que são os verdadeiros guardiões e protagonistas dessa cultura. Segundo Gabriella, a participação de toda a comunidade é importante nesse processo de identificar quais os aspectos que envolvem a cultura dos engenhos. Isso também faz com que um agricultor chame outro e assim a rede vai crescendo.

Para Sônia Florêncio, do Iphan, a educação patrimonial não é uma via de mão única, existem múltiplas narrativas. Ela também lembrou que a patrimonialização é sempre uma área de conflito e que a luta tem que ser permanente, pois sempre existem interesses da não preservação por certos grupos, como por exemplo a especulação imobiliária. Por esse motivo é importante que os municípios tenham leis municipais de proteção ao patrimônio. “Às vezes um bem não tem uma relevância nacional mas para aquela comunidade local ele é muito importante”, disse.

Maria GorettiSabendo dessa importância, Maria Goretti, pesquisadora na Universidade Federal do Pará, apresentou o projeto que coordena chamado Roteiros Geoturísticos, que leva grupos locais e de turistas em roteiros a pé por Belém. O objetivo do projeto é despertar o pertencimento dos moradores para o seu Patrimônio Cultural. Para Goretti,  “devemos deixar de lado a palavra conscientizar, pois essa é uma ideia preconceituosa, mas devemos sim debater sobre os espaços que formam a cultura local”.

O ciclo de debates segue até o final do ano debatendo mensalmente temas como patrimônio material, patrimônio imaterial e arqueologia.

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