Feeds:
Posts
Comentários

Livro de receitas, mapa cultural, revitalização e transmissão de conhecimentos de engenhos são as temáticas das cinco propostas aprovadas no Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, cujo resultado foi divulgado dia 2 de agosto. Quatro das iniciativas são baseadas em Florianópolis e uma em São Francisco do Sul. A Rede Catarinense de Engenhos participará ativamente de pelo menos dois dos projetos: a edição do Mapa Cultural dos Engenhos de Farinha, proposta pela educadora Giselle Miotto; além do livro Saberes, Sabores e Histórias dos Engenhos de Farinha, postulado pelo Cepagro.

Contemplado na categoria Educação Patrimonial, o Mapa Cultural será o produto de um ciclo de oficinas de educação patrimonial que irão mapear os bens culturais e serviços relacionados aos engenhos da Rede. A ser publicado em versões impressa e digital, o Mapa Cultural dos Engenhos de Farinha subsidiará a rede na elaboração de estratégias criativas e colaborativas de preservação e promoção desse patrimônio.

O livro Saberes, Sabores e Histórias dos Engenhos de Farinha busca valorizar e difundir o patrimônio agroalimentar e biocultural dos engenhos artesanais de farinha. Será construído a partir do reconhecimento do saber-fazer dos atores envolvidos com estas práticas, mobilizados pela Rede Catarinense de Engenhos de Farinha. Foi aprovado na linha de Culturas Populares.

Os outros projetos aprovados foram: Os Engenhos do Sertão do Peri, Transmissão de conhecimentos tradicionais de engenho e Revitalização do Engenho de Farinha da Família Borba.

 

Anúncios

A chuva fria e insistente que caía naquele domingo, 28 de maio, não desanimou o pessoal da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha para mais um encontro, realizado nesse dia no Engenho da Família Gelsleuchter, em Angelina (SC). Engenheiras e engenheiros de Angelina, Florianópolis, Garopaba e Imbituba marcaram presença para seguir articulando a rede. As discussões circularam em torno de dois eixos principais: “Comercialização de produtos e serviços dos engenhos” e “Educação e cultura”. Também foi desenhado um calendário de farinhadas, cuja temporada começa agora em junho, além de um aprofundamento do mapeamento de engenhos iniciado no encontro de Imbituba, em janeiro.

Acostumados a receber visitantes na propriedade, especialmente durante a farinhada, o casal anfitrião Catarina e Celso Gelsleuchter estavam mais do que contentes em acolher a formação de mais uma Rede. Participante também da Rede Ecovida de Agroecologia, Catarina afirma que a articulação em rede “ajuda a levantar nossa auto-estima. Hoje, mais do que nunca, eu tenho orgulho de dizer que sou agricultora”.

Dentro do engenho e na mira das lentes, Celso contou um pouco da história do lugar. Movido por uma roda d’água – engrenagem que gerou muita curiosidade entre os parceiros de Garopaba e Imbituba – o engenho foi construído há 75 anos pelo pai dele. Celso, hoje com 69 anos, contou com o incentivo da família e o apoio do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha e da Rede Ecovida para seguir nas atividades. “E nossos filhos estão aqui hoje. Ainda não fazem farinha igual o Celso, mas já sabem fazer”, conta, com orgulho, Catarina.

Antes da visita ao engenho, entretanto, a equipe articuladora da Rede fez apresentações importantes para compreender a trajetória dos trabalhos. A economista Manuela Braganholo apresentou a prestação de contas do uso do recurso do Prêmio do IPHAN que vinha custeando os encontros até então.

A educadora Giselle Miotto trouxe um panorama sobre os encontros da Rede, que (re)começaram em dezembro do ano passado. Junto com a historiadora Gabriella Pieroni, falaram também sobre o projeto “Ponto de Cultura Engenhos de Farinha 2.0”, selecionado pela Secretaria de Estado de Esporte, Turismo e Cultura (SOL) para receber mais um prêmio, que viabilizará a realização de mais 5 encontros e oficinas da Rede. Elas também apresentaram os pontos de contato da Rede com o Movimento Slow Food.

A articulação entre Slow Food, Universidade Federal de Santa Catarina e a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário deu origem ao projeto “Alimentos bons, limpos e justos: ampliação e qualificação da participação da agricultura familiar brasileira no Movimento Slow Food”, que também apoiou este encontro. Os participantes do projeto Alexandre Pires Lage, Flora Castellano e Pedro Xavier da Silva facilitaram a elaboração de uma matriz de Fortalezas, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças (FOFA) sobre a Comercialização de Produtos e Serviços dos Engenhos, considerando a produção, o processamento, a distribuição e o consumo. Esta foi uma das atividades em grupo do encontro, que buscou mapear os impulsionadores e obstáculos para produção e venda da farinha de mandioca artesanal.

Demanda por farinha de mandioca orgânica, definição do custo de produção, estabelecimento de preço mínimo e a possibilidade de uma certificação diferenciada para os produtos de engenho foram alguns dos temas discutidos, junto com muita troca de experiências sobre cultivares e variedades de mandioca. Sobre os entraves, o agricultor da Rede Ecovida Antônio Augusto avalia que “O que parece uma ameaça para um indivíduo, no trabalho em rede pode ser uma oportunidade”. Ou como disse o Secretário de Agricultura de Imbituba, Evaldo Espezim, que apoiou a vinda do grupo da ACORDI ao evento: “Toda oportunidade vai gerar um desafio num primeiro momento”. Por outro lado, um dos principais potenciais identificados ali é o fato de que praticamente toda a produção de mandioca dos integrantes daquele grupo é agroecológica.

No outro grupo, em que se discutiram aspectos de Educação e Cultura, a conversa começou com memórias de sabores e receitas dos engenhos, elementos que podem compor um inventário para pedir o registro dos engenhos de farinha artesanais como Patrimônio Imaterial junto ao IPHAN. Outros dados importantes para construir esse quadro foram levantados na ficha de mapeamento que os e as participantes preencheram durante o Encontro, junto com a equipe articuladora da Rede. A ficha busca levantar informações sobre a história dos engenhos, mão de obra, tipos de roça, produção, comercialização e serviços disponíveis, além do uso culinário dos produtos.

Nesse eixo de trabalho voltado ao Patrimônio, o próximo passo da Rede é construir uma estratégia para definir o que será registrado, que envolve reunir e mapear toda documentação – em fotos, textos e outros registros – que os membros possuem sobre os engenhos e a produção de farinha de mandioca, com todas as suas peculiaridades e especificidades. Os encontros realizados a partir do segundo semestre deste ano com apoio da SOL servirão para juntar todo este material. Antes disso, a 14ª Feira da Mandioca de Imbituba, promovida pela ACORDI de 23 a 25 de junho, será um dos principais eventos da Rede ainda nesse semestre.

Nos vemos lá!

texto e foto: Ana Carolina Dionísio (Cepagro)

Passava um pouco das 9h da manhã quando parte da equipe do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha chegou ao Engenho do Ademir, uma casa de madeira com chão batido numa encosta de morro na comunidade da Costa do Macacu, em Garopaba. Ao entrar no engenho, deixaram pra trás a bela paisagem da Praia do Siriú para encontrar o café posto na mesa e o proprietário do local, Ademir Rosalino, pilotando o fogão a lenha na preparação do almoço. “Fazer comida pra 40, 50 pessoas não me preocupa. Mas é que aqui é casa de engenho, depois da farinhada a gente só amontoa tudo num canto, aí fica tudo bagunçado”, desculpa-se o agricultor de 57 anos. Junto com as famílias dos 8 irmãos e outras 2 de vizinhos, ele continua fazendo farinha no engenho – antes propriedade do seu pai e do seu tio – “só por farra”. Nessa brincadeira, na farinhada do ano passado foram processadas ali cerca de 25 toneladas de mandioca, que renderam 52 sacos de farinha, ou 2.340 kilos. “Aí quando termina a farinhada é aquele chororô. Até me ofereceram um engenho pra comprar, mas eu não quis. Prefiro vir aqui com eles”, conta a agricultora Alice Gonçalves Vieira, vizinha de Ademir e parceira imprescindível nas farinhadas.

Ademir e Alice, vizinhos e parceiros de farinhadas

Com a ajuda da família e dos vizinhos, Ademir conseguiu deixar o engenho organizado para o III Encontro da Rede de Engenhos Artesanais de Santa Catarina, que aconteceu ali no último domingo, 2 de abril, promovido pelo Ponto de Cultura com recursos do Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, concedido pelo IPHAN ao Cepagro em 2015. O evento contou também com apoio do Projeto Misereor em Rede, articulado pelo Cepagro. Os coxos e o cevador foram acomodados próximos às paredes, os balaios e alqueires (caixas de madeira para medir o volume de farinha) empilhados num canto e as ferramentas acomodadas dentro do forno para ceder espaço a engenheiros e engenheiras da mandioca de Garopaba, Biguaçu, Imbituba, Palhoça e Florianópolis, além do Secretário de Turismo de Garopaba, membros do Movimento Slow Food e outros parceiros e entusiastas da iniciativa, como o historiador Francisco do Valle Pereira (NEA-UFSC) e a antropóloga Alessandra Schmitt (da ONG AMA-Garopaba). De acordo com a educadora Giselle Miotto, que colabora na articulação da Rede e ajudou na facilitação do evento, o Encontro tinha o objetivo de “fortalecer a Rede, que será a base para trabalhar a proposta de registro junto ao IPHAN mais adiante”, referindo-se à construção coletiva e participativa de um dossiê para chancelar os engenhos de farinha como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Buscando esse fortalecimento da Rede, as atividades começaram com a engenheira agrônoma Flora Castellano, do Projeto Slow Food-UFSC-MDA, apresentando uma linha do tempo da Rede de Engenhos, cujos primórdios remontam aos trabalhos do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, projeto que entre 2010 e 2014 promoveu diversas ações de valorização do patrimônio agroalimentar e cultural representado pelos engenhos através do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura. Na sequência, a agricultora Catarina Gelsleuchter, proprietária de um engenho em Angelina (SC), falou sobre sua experiência na Rede Ecovida de Agroecologia, para trazer aos participantes um pouco do que é integrar um coletivo com esse caráter. “Me sinto outra pessoa, pois sabemos que não estamos sozinhos. Agora também falamos com mais orgulho que somos agricultores”, contou Catarina.

Se pensar os objetivos da Rede é fundamental para seu fortalecimento, refletir sobre as motivações das pessoas para vir ao próprio Encontro é um dos passos iniciais. A partir do que já havia sido apontado nos Encontros anteriores, a equipe do PdC sistematizou as motivações das pessoas, que serviu de ponto de partida para a reflexão do domingo. Tradição, paixão e resistência foram evocadas várias vezes, assim como os impasses vividos pelos engenheiros e engenheiras artesanais.

Um dos principais é quanto às restrições sanitárias sofridas pela farinha de mandioca produzida artesanalmente, o que inclusive barra a certificação orgânica desses produtos. Para obter um selo “Orgânico Brasil” do Ministério da Agricultura, os engenhos teriam que enquadrar-se nos parâmetros de agroindústrias normais, com adequações na infra-estrutura e processos produtivos. “Nem temos interesse em ter essa certificação oficial, pois isso descaracterizaria o nosso produto”, afirma Catarina Gelsleuchter. Na lógica sanitarista, os saberes tradicionais de forneiro artesanal do seu marido, Celso Gelsleuchter, por exemplo, pouca importância teriam. Marlene Borges, da Associação Comunitária Rural de

A agricultora Catarina Gelsleuchter fala sobre sua vivência na Rede Ecovida de Agroecologia.

Imbituba (ACORDI), pondera que “a rigidez sanitária chega a alguns absurdos, principalmente quanto a edificação. Mas a questão sanitária é importante. Às vezes são pequenos pontos que podemos nos orientar para regularizar o produto. Não dá pra fugir do

problema, tem que enfrentar. Mas não é porque uma construção é rústica que não tem higiene”. Luiz Farias, também da ACORDI, concorda: “Não importa se o Engenho é de tábua ou não, tem que estar limpo”. Para José Antônio Furtado, o Zezinho, proprietário de um engenho na Garopaba e membro da Rede Ecovida de Agroecologia, “o importante é a certificação na roça, da matéria-prima”. Joaquim Pereira de Souza, o Biluca, dono de um engenho e alambique de cachaça também no Macacu, concorda com Zezinho: “Olham pra azulejo, pra fábrica, pra o que é moderno, mas não pra matéria prima. O conjunto da obra é que é importante, se tem veneno na roça de mandioca ou não, por exemplo”.

 

A professora Jaqueline Prudêncio, o agricultor Luiz Farias e o historiador Francisco do Vale Pereira durante o Encontro.

Neste sentido, as iniciativas do Movimento Slow Food em construir as Fortalezas do Alimento – projetos que visam conservar um produto ou sua técnica de produção tradicional em risco de extinção – pode ser uma alternativa para certificar a farinha de mandioca artesanal sem implicar na descaracterização do seu processo produtivo. “É o reconhecimento de produtos que não

necessariamente se enquadram nos padrões sanitários”, explicou Flora Castellano. A regularização ou certificação da farinha de mandioca toca em outro ponto bastante discutido no encontro: a comercialização dos produtos dos engenhos. Divididos em grupos temáticos, os participantes debateram estratégias de fortalecimento deste eixo, assim como o turismo, a questão fundiária e a educação e cultura.

No âmbito da comercialização, a alimentação escolar foi considerada como um canal importante para escoar os produtos dos engenhos, como sugerido pelo Secretário de Turismo de Garopaba, Jackson Sena. Outros temas, como a formação de preço em rede, a possibilidade de um selo territorial ou de qualidade ligada à tradicionalidade e o criação de circuitos culturais-gastronômicos também foram levantados. De acordo com os participantes, a demanda por farinha de mandioca artesanal está em alta: “Estão procurando demais”, avalia Biluca.

O facilitador Pedro Xavier da Silva, do Projeto Slow Food-UFSC-MDA apresenta as sugestões do eixo temático de Turismo.

No caso dos engenhos, a comercialização vai de mãos dadas com o turismo. “O turista que visita os engenhos também pode ser uma avaliador dos produtos, se criamos esse laço de amizade com os clientes”, considerou Catarina Gelsleuchter. A partir do exemplo da Rota da Baleia Franca, no litoral sul do estado, e da Acolhida na Colônia, nas Encostas da Serra, os e as participantes ressaltaram a importância de que este turismo seja de base cultural e comunitária, o que pode demandar uma preparação e capacitação dos engenhos para receber o público. Se por um lado temos exemplos de engenhos valorizados por suas edificações e patrimônio material, como o Casarão e Engenho dos Andrade, em Florianópolis, por outro o saber-fazer que envolve os engenhos em atividade – da escolha das variedades de mandioca e a influência destas na qualidade da farinha ao ponto da torra no forno – também pode constituir um atrativo cultural.

Um dos temas mais delicados e com mais especificidades na discussão é quanto à questão fundiária, com uma diversidade de situações abarcando os engenhos da Rede, conforme foi sintetizado pelo facilitador Alexandre Pires Lage, da equipe do PdC (foto). A ACORDI, por exemplo, encontra-se em uma área comunal que há anos vem resistindo a especulação imobiliária e a mega-projetos de “desenvolvimento” que buscam expropriar as terras dxs agricultorxs e trazem pesados impactos socioambientais para todo território. Já os engenhos da Ilha de Santa Catarina sofrem com a falta de terras para o cultivo de mandioca, pois as áreas rurais deixaram de ser consideradas no novo Plano Diretor. Para construir estratégias de atuação nesses contextos, os participantes tiraram como encaminhamento realizar um estudo sobre os Planos Diretores dos municípios e também buscar assessoria jurídica para ter esclarecimentos sobre seus direitos.

Como tema transversal a todos estão a Educação e a Cultura, como apontou a facilitadora Manuela Braganholo, também da equipe PdC Engenhos de Farinha. Nessa ponte entre escola e engenhos, tanto a alimentação escolar pode ser um canal de escoamento para os derivados da mandioca, quanto os próprios engenhos configuram espaços de aprendizagem. Atividades práticas para colocar as mãos na massa e na terra, produção de cartilhas e livros de receitas e um mapeamento dos mestres de engenho foram algumas das ações apontadas para fortalecer este eixo no âmbito da Rede.

Os recursos do Prêmio do IPHAN que vinham financiando os eventos já estão terminando, sendo suficientes para mais um encontro da Rede, que acontecerá na propriedade da família Gelsleuchter, em Angelina (SC), no final de maio ou início de junho. Mesmo sem a garantia de apoio financeiro, os/as membros da Rede continuam motivadxs a continuar encontrando-se para fortalecer seus nós e laços, mostrando na prática como os engenhos são movidos por paixão e resistência.

Mandioca neles!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

texto e foto: Ana Carolina Dionísio (Cepagro)

“Cada uma dessas tábuas tem histórias de muito amor e luta”. Emocionada, a engenheira agrônoma Marlene Borges, uma das fundadoras da Associação Comunitária Rural de Imbituba (ACORDI), lembra o histórico de resistência de cerca de 100 famílias de agricultores e pescadores dos Areais da Ribanceira contra a desterritorialização promovida pela especulação imobiliária e por grandes empreendimentos chamados desenvolvimentistas. Vivendo há quase 200 anos da agricultura familiar itinerante e da pesca artesanal, a comunidade hoje luta para manter as terras das quais depende seu modo de vida, encurraladas entre o Porto de  Imbituba, loteamentos imobiliários e plantas de produção de cimento e gesso. No centro desse território em disputa está o Engenho da ACORDI, construído entre 2002 e 2004. Foi no galpão anexo a esse “espaço sagrado” – nas palavras de Marlene – que aconteceu o II Encontro da Rede de Engenhos Artesanais de Santa Catarina no domingo passado, 29 de janeiro.

O Engenho e o Galpão da ACORDI, nos Areais da Ribanceira: espaços de luta e resistência da agricultura tradicional e da pesca artesanal

O Engenho e o Galpão da ACORDI, nos Areais da Ribanceira: espaços de luta e resistência da agricultura tradicional e da pesca artesanal

O evento reuniu quase 40 famílias de agricultores e “engenheiros” de Imbituba, Garopaba, Florianópolis, Biguaçu e Palhoça, além de pesquisadores, representantes do Núcleo de Estudos Açorianos da UFSC e do IPHAN/SC, além do Prefeito de Imbituba e do Superintendente da SEAPI – Secretaria de Agricultura, Pesca e Infraestrutura de Imbituba. No desenrolar das atividades, que incluiu um mapeamento participativo dos engenhos da costa sul de Santa Catarina, ressaltou-se a importância de conservar não só os engenhos em funcionamento, mas os saberes e dinâmicas agrícolas das comunidades e a agrobiodiversidade das variedades de mandioca e outros cultivos de subsistência. Ligada a esse sistema agroalimentar representado pelos engenhos está a própria identificação cultural de centenas de famílias que os mantém vivos, sejam como unidades produtivas ou espaços de memória. O próximo Encontro da Rede será em Garopaba, no final de março ou início de abril.

A facilitadora Giselle Miotto e sua ajudante, Isabelle Furtado

A facilitadora Giselle Miotto e sua ajudante, Isabelle Furtado

As atividades do dia tiveram dois momentos básicos: um diálogo sobre Patrimônio Imaterial mediado por Carla Ferreira Cruz, do IPHAN, e o mapeamento participativo dos engenhos de farinha de Santa Catarina, facilitado pela equipe do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha: Giselle Miotto, Manuela Braganholo, Flora Castellano e Alexandre Pires Lage. Para abrir o evento, o Prefeito de Imbituba, Rosenvaldo Júnior, e o Superintendente da Secretaria de Agricultura, Pesca e Infraestrutura do município, Evaldo Espevim, falaram do empenho da nova administração em “restabelecer a agricultura e a pesca em Imbituba”, ressaltando o fato de que o Plano Diretor exclui áreas rurais do município. “Mas estas atividades podem coexistir, não é preciso acabar com o campo em nome do desenvolvimento”, afirmou Espevim, que visitou, junto com Marlene, quase 40 engenhos durante a mobilização prévia ao Encontro.

Na sequência, Marlene Borges e  o agricultor Luiz Farias apresentaram a ACORDI, fundada em 2002 como uma estratégia de defesa das famílias dos Areais da Ribanceira contra sua desterritorialização: as terras que eles tradicionalmente cultivavam em uso comum haviam sido vendidas para a empresa ENGESSUL em 2000, a R$ 0,11 o metro quadrado. Com a construção do engenho e a realização da primeira Feira da Mandioca de Imbituba a partir

????????????????????????????????????

Marlene Borges e Luiz Farias apresentam o histórico de reivindicações e lutas da ACORDI

de 2004, a ACORDI fincou suas raízes e passou a buscar a regularização de seus territórios. Ao longo de seus quinze anos, a Associação sofreu revezes. Cerca de 70 famílias das comunidades da Ribanceira e Vila Esperança (além de outras 130 em outras comunidades) perderam as terras em que cultivavam mandioca devido a ações de reintegração de posse a favor da Engessul em 2010, quando também tentou-se demolir o Engenho para a construção de uma estrada. Fazendo barricadas e com o abraço do movimento estudantil, eclesial e do MST, a ACORDI defendeu seu engenho e o que ainda restavam de suas terras durante um mês. “A comunidade sabe onde é seu território”, afirma Marlene, que ressalta o caráter itinerante da agricultura tradicionalmente praticada pela comunidade. Em 2013, com apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos, a ACORDI  conseguiu assessoria antropológica e jurídica para a defesa de seus direitos culturais e territoriais. A reivindicação das terras está protocolada junto ao INCRA, aguardando o laudo antropológico do órgão.

“Fica até difícil falar depois da Marlene”, reconheceu Carla Ferreira Cruz, do IPHAN. Sua fala sobre Patrimônio Imaterial corroborou a importância da mobilização comunitária que caracteriza o histórico da ACORDI e a formação da Rede de Engenhos: “Se a comunidade não se unir, o Estado não vai cuidar daquele bem a ser patrimoniado. E uma Rede é uma forma da comunidade se blindar e fortalecer. Patrimônio Cultural tem a ver com resistência”, afirmou. Contudo, independente de um título de “Patrimônio Cultural” concedido pelo Estado, as comunidades precisam apropriar-se do que querem preservar e passar para as próximas gerações: “Independente se encaminham para registro ou não, o que precisa estar claro é o que é importante para a comunidade”, explicou.

????????????????????????????????????

Carla Cruz, do IPHAN: “Patrimônio Cultural tem a ver com resistência”

O processo de registro dos engenhos como patrimônio cultural imaterial já foi vislumbrado pela ACORDI como outra estratégia de resistência de sua agricultura tradicional. Carla Cruz alertou, por outro lado, que o registro seria mais um diferencial nesse processo de regularização fundiária, mas que não poderia garanti-la. “O IPHAN não tem como garantir território. Mas a chancela pode ser um capital para a articulação política na busca da regularização”, esclareceu.

Se o pedido de registro como Patrimônio Imaterial deve partir das comunidades, perceber onde estão e quantos são  esses engenhos é um passo importante. Nesse sentido é que a equipe do Ponto de Cultura promoveu durante o Encontro um mapeamento dos engenhos de farinha e de cana de açúcar na costa de Santa Catarina. Divididos em 4 grupos, os participantes vasculharam suas memórias individuais e comunitárias para colocar no papel a (r)existência desses locais tidos como extintos, inativos, mortos.

Equipe da ACORDI durante o mapeamento

Equipe da ACORDI durante o mapeamento

Só na região de Imbituba foram listados 105 engenhos. Marlene e Evaldo visitaram 39 deles para convidá-los ao Encontro; destes, 25 estavam ativos – 3 realizando comercialização e 22 para subsistência e “o prazer de produzir farinha”. A região da Ribanceira, onde está a ACORDI, concentra 18 engenhos, mas somente 2 estão em funcionamento. O agricultor Luiz Farias lembra que ainda faltaram 8 comunidades na lista: com isso, pode-se chegar a quase 200 engenhos só nesse município. O agricultor Aurino de Souza fez outra ressalva importante: a queda na atividade dos engenhos deve-se à perda das áreas de cultivo de mandioca pelas famílias da região. Ele chegou a produzir entre 500 e 800 sacos de farinha anuais, num engenho manual. Hoje, ainda que com um motor, chega a no máximo 40 sacos por ano. Isso porque ele foi uma das 70 famílias que perdeu as terras para a Engessul em 2010. “Ficamos só com as roças perto da casa. As terras os poderosos tomaram”, lembra.

Em Garopaba foram identificados 50 engenhos.

Em Garopaba foram identificados 50 engenhos.

Outra grande concentração de engenhos foi registrada pelo grupo de Garopaba: 50, com 45 deles produzindo para o auto consumo, 3 para comercialização e 1 semi-industrial que é comunitário. De acordo com José Furtado, agricultor agroecológico de Garopaba e membro da Rede Ecovida de Agroecologia, “a maioria do pessoal mantém o engenho porque a história da família tá ali. Como que vou derrubar algo que meu avô construiu 60 anos atrás?”.

A mesma importância histórico-cultural foi destacada pelo grupo de Florianópolis, que registrou a existência de 27 engenhos na Ilha de Santa Catarina. “A maioria ainda deve fazer farinha 1 vez por ano, pra não deixar morrer a cultura”, afirmou João Heidenreich, engenheiro agrônomo e herdeiro do

A Ilha de Santa Catarina registra a existência de 27 engenhos

A Ilha de Santa Catarina registra a existência de 27 engenhos

engenho de sua família no Ribeirão da Ilha. Sem áreas para o cultivo, precisam comprar mandioca para produzir farinha. A irmã de João, Graziela, disse que tem o sonho de conseguir conjugar o turismo com a produção de farinha para manter o engenho ativo.

Na região de Palhoça e Paulo Lopes foram mapeados outros 10 engenhos. “Mas já existiram 40 só no sul da Palhoça, nas comunidades das Três Barras, Pinheira e Maciambu”, contou a professora Jaqueline Prudêncio, moradora das Três Barras. Um dos engenhos ativos ali é do casal Rosa e João Nascimento, que compareceram ao evento com uma cesta cheia de quitutes de mandioca:

Mapeando os engenhos de Palhoça e Paulo Lopes

Mapeando os engenhos de Palhoça e Paulo Lopes

beiju, cuscus e bijajica. Produtos que também podem constituir o patrimônio imaterial dos engenhos, juntamente com as diversas variedades de mandioca, segundo o professor do Departamento de geografia da UFSC Nazareno José de Campos, que também participou do mapeamento. “A modernização do maquinário não necessariamente descaracteriza os engenhos, pois existem todas as outras características de

produção da mandioca e seus derivados”, disse.

O agricultor Luiz Farias, de Imbituba, concorda: “Ficam olhando se o engenho é elétrico ou com boi, mas o mais importante é a matéria prima, é a mandioca na roça”. Como disse Marlene Borges, “fica

????????????????????????????????????

Dona Rosa Nascimento comercializa os produtos de seu engenho

difícil pensar no registro do modo de fazer farinha sem considerar o sistema produtivo da mandioca”. Neste sentido, os inventários dos Quilombos do Vale do Ribeira e do sistema agrícola do Rio Negro são referencias importantes de registros de Patrimonio Imaterial que envolvem agricultura, território e biodiversidade.

cartaz-encontro-engenhos-imbitubaReunindo famílias proprietárias e trabalhadores de engenhos artesanais, pesquisadores, técnicos e parceiros, a Rede de Engenhos de Farinha de SC promove seu 2º Encontro neste domingo, 29 de janeiro, na sede da Associação Comunitária Rural de Imbituba (ACORDI), a partir das 9h da manhã. Após um primeiro encontro de rearticulação em dezembro, no Casarão e Engenho dos Andrade, em Santo Antônio de Lisboa (Florianópolis), agora é a vez da comunidade dos Areais da Ribanceira receber esta atividade de debate e construção de soluções coletivas para a preservação dos saberes, dos modos de fazer e dos territórios para produzir a farinha de mandioca polvilhada catarinense.

A programação terá dois momentos básicos, ambos visando ao fortalecimento da Rede de Engenhos de Farinha de SC: uma exposição sobre Patrimônio Cultural Imaterial por Carla Ferreira, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e uma dinâmica de mapeamento dos engenhos artesanais de farinha em Santa Catarina, com contribuições de famílias “engenheiras” de Imbituba, Garopaba, Angelina, Palhoça, Biguaçu e Florianópolis. A primeira, com facilitação do IPHAN, tem o objetivo de seguir na construção coletiva e participativa de uma proposta de registro dos Engenhos de Farinha como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Parte desta construção passa pelo mapeamento dos engenhos, tanto dos que se mantêm ativos na produção de farinha quanto os que têm mais relevância cultural do que econômica nas comunidades. Tudo intercalado, é claro, com saborosos cafés com quitutes de engenho e uma apresentação de viola para fechar.

O Encontro faz parte de um ciclo de eventos viabilizados com recursos do Prêmio de Boas Prática em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, concedido pelo IPHAN em 2015 à ONG Cepagro, de Florianópolis, pelo trabalho realizado no Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, projeto que entre 2010 e 2014 promoveu diversas ações de valorização do patrimônio agroalimentar e cultural representado pelos engenhos de farinha catarinenses, através do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura. O evento conta também os apoios da Prefeitura Municipal de Imbituba (através da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, Agricultura e Pesca) e da ACORDI.

A participação no Encontro é gratuita, mas pede-se uma contribuição de R$ 35 para as refeições (cafés e almoço). Para mais informações, o contato é engenhosdefarinha@gmail.com.
PROGRAMAÇÃO:
09:00 – 10:00 – Café e acolhida

10:00 – 10:45 – Apresentação dos participantes

10:45 – 11:30 – Informes, repasses e retomada do encontro passado

11:30 – 12:30 – Exposição sobre patrimônio cultural (Carla Ferreira – IPHAN)

12:30 – 14:00 – Almoço

14:00 – 16:30 – Dinâmica para mapeamento da Rede

16:30 – 17:00 – Avaliação do encontro

17:00 – 17:30 – Encaminhamentos e fechamento

17:30 – Apresentação Cultural (Violeiro)

????????????????????????????????????

O forno estava apagado. Nenhum boi na cangaia; os fusos de prensar massa, imóveis. Ainda assim, era grande a movimentação de ideias e debates no Casarão e Engenho dos Andrade (Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis) no último sábado, 17 de dezembro, durante o Encontro de Rearticulação da Rede de Engenhos Artesanais de Farinha de Santa Catarina. Após dois anos e meio do encerramento das atividades do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, que entre 2010 e 2014 promoveu ações de valorização destes espaços, engenheiros e engenheiras de Florianópolis, Angelina, Imbituba, Garopaba, Biguaçu e Paulo Lopes encontraram-se com parceiros institucionais e apoiadores de coração para pensar e discutir estratégias de fortalecimento dos Engenhos Artesanais de Farinha de Mandioca do litoral e encostas da Serra de Santa Catarina. O evento foi viabilizado com recursos do Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), concedido ao PdC/Cepagro no final de 2015. O debate acerca das áreas rurais no Plano Diretor de Florianópolis e outros municípios costeiros e o registro dos engenhos de farinha como Patrimônio Cultural brasileiro foram duas das principais temáticas discutidas, entremeadas por muitas histórias, memórias, saberes e sabores, além da celebração do Dia da Mãe Terra (Terra Madre Day).

????????????????????????????????????“Só o que já aprendi com a experiência desses senhores já valeu meu dia”, contou o agrônomo João Heindenreich, dono de um engenho no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, depois de uma conversa com dois mestres engenheiros: Luiz Farias, de Imbituba, e Celso Gelsleuchter, de Angelina. Se a troca de saberes, experiências e histórias já parecia frutífera, os debates promovidos ao longo do dia ampliaram mais ainda o horizonte de “construção de estratégias conjuntas de conservação”, como afirmou a historiadora Gabriella Pieroni, que foi coordenadora do PdC e do Convívio Engenhos de Farinha do Movimento Slow Food.

“Os engenhos fazem parte de uma cultura territorial, que precisa de terra para cultivar, senão vira só um prédio. Um dos fatores de declínio dos engenhos foram as restrições ambientais para o cultivo de mandioca, junto com a especulação imobiliária”. A avaliação de Cláudio Andrade, anfitrião do evento, abriu a discussão sobre as áreas rurais no Plano Diretor de Florianópolis. Com a participação da advogada Mexiana Zabott Adriano e dos vereadores eleitos Lino Peres (PT) e Marcos José de Abreu (PSOL), além do representante da Associação de Moradores de Santo Antônio de Lisboa Alexandre Queiroz, o debate ressaltou a importância de garantir a classificação de determinadas áreas como “rurais”, seja por questões tributárias – como os valores elevados de IPTU para áreas de cultivo – ou ambientais – já que áreas rurais seriam como uma ponte entre zonas urbanas e de preservação ambiental.

????????????????????????????????????Na proposta atual do Plano Diretor de Florianópolis, contudo, as áreas macro-rurais  foram excluídas, aparentemente porque não há condições de manter uma infraestrutura para atividades agrícolas na ilha. “A questão agrícola e as ruralidades vêm sendo invisibilizadas na cidade. Mas esta é uma visão de mundo construída. O que acontece é que, mercadologicamente, a agricultura não tem como competir com a especulação imobiliária”, afirmou Marcos José de Abreu.

Infelizmente, as ameaças da especulação imobiliária à continuidade dos engenhos não são exclusividade de Florianópolis. Na comunidade dos Areais da Ribanceira, em Imbituba, os membros da ACORDI????????????????????????????????????(Associação Comunitária Rural de Imbituba) vivem o impasse de buscar a regularização de suas terras junto ao INCRA, mas numa área que é considerada urbana, pagando tanto IPTU quanto ITR (imposto de áreas rurais). “A solução é que essas áreas voltem a ser rurais”, avalia Marlene Borges, uma das lideranças da ACORDI. Outro caminho apontado por ela é a classificação dos agricultores e agricultoras dos Areais da Ribanceira como comunidade tradicional.

Tanto nas discussões sobre Plano Diretor quanto na categorização das comunidades dos engenhos como Povos e Comunidades Tradicionais (PCT), aconstituição dos engenhos como um “sujeito político”, nas palavras de Gabriella Pieroni, é fundamental para ????????????????????????????????????o fortalecimento da Rede e legitimação de suas demandas. Outra proposta para a conservação das comunidades engenheiras e de seus modos e territórios de produção da mandioca é o registro dos engenhos como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). “Pode ser uma estratégia para a manutenção das comunidades, dos engenhos e também do modo de produção da mandioca”, avalia Marlene Borges.

E qual seria o significado dos engenhos como Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro? Foi com esta pergunta que a historiadora Regina Helena Santiago, do Iphan/SC, iniciou a oficina de Política de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial durante o evento. Além de esclarecer as diversas categorias englobadas pelo termo “patrimônio” – mais do que monumentos e prédios, comporta também saberes, celebrações, formas de expressão, lugares, modos de fazer – Regina Helena explicou o passo-a-passo do pedido de registro junto ao Iphan. Neste ponto, ressaltou a importância da participação das comunidades no processo. “Só o Estado não consegue salvaguardar. É a participação que garante a preservação do patrimônio”, afirmou. De acordo com a historiadora, só a chancela do Iphan não assegura a preservação daquele baixa43patrimônio, mas pode facilitar o acesso a políticas públicas para promover a sustentabilidade desses saberes, lugares e modos de fazer. Ou, como disse Luiz Farias, da Acordi: “O segredo da farinha é quem faz, não é o engenho. O engenho é só uma máquina”.

A estratégia do registro dos engenhos já foi levantada  com enfoques diferentes pela comunidade da ACORDI e pelo Núcleo de Estudos Açorianos da UFSC (NEA), representado no evento por Francisco do Vale Pereira. Enquanto a comunidade dos Areais da Ribanceira busca a garantia dos espaços de produção de mandioca e da manutenção do seu sistema agrícola, a proposta do NEA foca no modo de produção da farinha de mandioca. “Há também saberes sobre os instrumentos de engenho, como o tipiti, e outras ferramentas”, lembra a articuladora cultural Gláucia Maindra, também da ACORDI. Além disso, o próprio Casarão e Engenho dos Andrade é tombado como Patrimônio de Florianópolis.

baixa59Para fortalecer essa mobilização e buscar um consenso de forma participativa e colaborativa é que, dando seguimento ao uso dos recursos do Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Iphan, a Rede promove novo encontro no dia 29 de janeiro de 2017, na ACORDI. Até lá, os membros da Rede, com auxílio da Epagri e do NEA, trabalharão em cima da realização de um mapeamento dos engenhos artesanais de farinha de SC, reunindo também documentação escrita e (áudio)visual sobre estes espaços. A proposta do registro junto ao Iphan certamente estará na pauta desse próximo encontro, assim como a discussão sobre a identidade da Rede. Como lembra Gabriella Pieroni, “para pensarmos o que é patrimônio, precisamos entender primeiro o que é essa Rede”.

Nos vemos em janeiro!

convite-novoApós receber o Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Ponto de Cultura Engenhos de Farinha realiza um encontro no Engenho dos Andrade, em Santo Antônio de Lisboa, no próximo sábado, 17 de dezembro. O objetivo do evento é prosseguir qualificando a articulação da Rede de Engenhos Artesanais de Farinha de Santa Catarina, que engloba famílias “engenheiras” desde Imbituba até Bombinhas, passando por Palhoça, Florianópolis e Angelina. As atividades começam às 9h da manhã e vão até às 18h.

O Ponto de Cultura foi uma iniciativa do Cepagro que promoveu ações de valorização dos engenhos artesanais de farinha catarinenses entre 2010 e 2014. No ano passado, ficou em quarto na premiação do IPHAN dentre 121 ações espalhadas pelo Brasil.  Na programação desse reencontro, além de avançar no mapeamento participativo dos Engenhos no Estado, acontece a exibição do documentário Engenhos da Cultura: Teias Agroecológicas e uma roda de conversa sobre os engenhos de farinha e áreas rurais no Plano Diretor de Florianópolis.

Outro ponto importante do encontro – além do cardápio cheio de quitutes de engenho – é a oficina sobre a Política de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, com Regina Helena Santiago (IPHAN/SC). Isso porque esta nova fase do Projeto marca a continuidade da mobilização para construir a proposta de Registro dos Engenhos de Farinha como Patrimônio Cultural do Brasil de forma colaborativa entre as várias iniciativas do Estado.

A participação no evento é aberta e gratuita, mas espera-se uma contribuição de R$ 30 para o almoço e café, além da confirmação de presença pelo email engenhosdefarinha@gmail.com até a 5ª feira (15 de dezembro).

SERVIÇO:

O quê: Encontro de Articulação da Rede de Engenhos de Farinha de SC
Quando: Sábado, 17 de dezembro, às 9h
Onde: Casarão e Engenho dos Andrade (Caminho dos Açores, 1180, Santo Antônio de Lisboa).