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Archive for dezembro \16\America/Sao_Paulo 2010

Dia da Terra Madre 2010

por Fernando Angeoletto – cepagro.org.br

A comemoração do Dia da Terra Madre em Florianópolis trouxe a público a essência do Movimento Slow Food: a celebração do universo simbólico da Ecogastronomia, em seus componentes cultural, social e ambiental, tudo isso embebido pelo prazer de estar à mesa e de ser o reflexo natural da própria alimentação saudável.

Numa parceria entre o Ponto de Cultura e Convivium dos Engenhos da Farinha,  Convivium Sabor Selvagem, Slow Fish Santa Catarina e Juventude Slow Food, o ato de amor à Terra Madre deu-se no chão batido e entre as paredes carregadas de história do Engenho dos Andrade, que preserva a alma açoriana simbolizada na produção artesanal de farinha.

Ali reuniram-se famílias de Engenhos, pescadores, extrativistas, agricultores familiares, pesquisadores, líderes comunitários, ativistas culturais e ao menos uma centena de convidados, numa convivência de um dia todo, tendo como ápice um almoço feito exclusivamente com produtos regionais e de procedência justa e limpa.

A abundância da mãe terra, de mãos dadas com a generosidade do nosso vasto mar, transformou-se pelas mãos dos chefs nas seguintes obras-primas: chutney de polpa de juçara com melado; palmito pupunha assado na brasa; ostras in natura; espaguete de pupunha com berbigão na casca; berbigão ensopadinho com chuchu; peixe frito; aipim cozido; lingüiça frita; feijão vermelho; saladas verdes. Pra beber, suco de morango, caldo de cana e vinhos das uvas Goethe. De sobremesa, creme de polpa de juçara com calda de morango. No café da tarde mais delícias: bijú, bijajica, cuscuz, pães caseiros, geleias.

Convidado ilustre no Seminário do Ponto de Cultura

Pela manhã foi realizado o Seminário do Ponto de Cultura e o Convivium Engenhos de Farinha. Com a presença dos representantes da rede dos Engenhos, que vieram de Angelina, Garopaba, Paulo Lopes e Palhoça, foram repassadas as atividades feitas na primeira etapa do Ponto de Cultura, e um esboço da programação para o próximo ano.

Será o período de maior movimentação do projeto: estão previstas 27 oficinas que acontecerão dentro dos próprios Engenhos, de modo a valorizar e fortalecer a cultura das famílias proprietárias e das comunidades onde estão inseridos. Os temas sugeridos vão de artesanatos típicos (cestas, balaios, tipitis, rendas, esteiras, canoas com galhos de garapuvus) à prática da culinária tradicional, passando por história e cultura das populações açorianas, preparação para o turismo, feitio de açúcar e etc.

O convidado ilustre para o Seminário do Ponto de Cultura foi o antropólogo Gelci Coelho, o Peninha, uma autoridade em cultura açoriana, ex-diretor do Museu Universitário (UFSC) e profundo conhecedor da obra de Franklin Cascaes. Peninha recorda que o momento histórico crucial da ameaça à existência dos Engenhos, que passaram das centenas no litoral catarinense aos poucos que existem hoje, ocorreu em 1976. “Neste ano, houve um adendo à legislação sanitária que exigia paredes com azulejos nos espaços de produção de alimentos”, lembra ele. “Teve dono de Engenho que desmanchou tudo e tacou fogo, outros venderam muito barato. Eu e o Franklin Cascaes vimos peças de Engenho pintadas de branco decorando bares de São Paulo, ele ficava muito revoltado”. Peninha acha fundamental o fortalecimento em Rede dos Engenhos que ainda existem, atuando na reconstrução da identidade social, econômica e social desses ambientes.

As comunidades do alimento

Durante a tarde, os chefs e as comunidades dos alimentos deram seus recados ao público. Leandro Carmo (ESALQ/USP), representando a palmeira juçara da Mata Atlântica, trouxe à luz as benesses nutricionais e econômicas dos frutos desta planta, e sobretudo o bem social que ela tem feito às comunidades extrativistas do sul de SP.

O jovem Fabrício, em nome da RESEX Marinha da Costeira do Pirajubaé, alertou para a exploração sofrida pelos extrativistas: chegam a vender um balde de 18kg de berbigão com casa por R$ 4, na sujeição a atravessadores que enviam a São Paulo e na falta de um mercado local mais promissor. “Nosso futuro é a criação de infraestrutura para beneficiamento. Para isso precisamos da ajuda de vários atores, incluindo o Slow Food e o poder público”, declarou o jovem.

Houve também falas do Cepagro representando os agricultores ecologistas do litoral catarinense, o Ponto de Cultura e a compostagem da Revolução dos Baldinhos, do movimento Slow Fish pelos pescadores artesanais, da Palma Sul expondo o cultivo sustentável do palmito de pupunha, entre outros.

Na sequência os convidados divertiram-se com o Arreda Boi, do Ponto de Cultura parceiro do evento, que apresentou um boi-de-mamão com a alegria e o colorido da criançada atuante. Destaque para a presença sempre animada e espirituosa do Nado, padrinho do grupo, e do caríssimo convidado Sr. Chico, hoje aos 86 anos, dono do inesquecível bar rústico à beira-mar no Campeche que foi derrubado este ano pelo delírio da política de zoneamento em Florianópolis, que alimenta os tubarões e atropela de patrola os peixes pequenos.

O evento foi encerrado com um delicioso café típico de Engenho, selando um dia intenso de alegria e respeito à Mãe Terra, de vivências e de prazer, de harmonia e de consciência.

Agradecimentos especiais aos doadores e fornecedores dos alimentos servidos no dia:

Zezinho e Rose, Dona Rosa e João Nascimento, Osmar e Dionisia Marcelino, as irmãs Inácia, Wilma e Maura, Celso e Catarina – agricultores agroecológicos da Rede Ecovida e proprietários de Engenhos artesanais de farinha em Garopaba, Paulo Lopes, Palhoça e Angelina (morango, alface americana, repolho, beijú, bijajica, cuscuz, feijão, lingüiça, aipim, melado, geleias, pães caseiros e farinha de mandioca)
Fabrício e Aristides da RESEX Costeira do Pirajubaé – berbigão e peixes
Adega da Quinta – Vinhos e azeites – Florianópolis;
PROGOETHE, Vinícola Del Nonno e Vinícola Mazzon – Vinhos de Urussanga;
Palma Sul – pupunha fresco – Joinville;
Fazenda Moluskus – Ostras – Palhoça;
AGRECO – molho orgânico de tomate – Santa Rosa de Lima;
Xisto – cultivos orgânicos – Florianópolis;
Bom Bocado Patisserie – Blumenau;

E aos Chefs, Cozinheiros e estudantes de Gastronomia responsáveis pelo toque da alquimia regional no cardápio:

Ana Luiza Mette,
Bernardo Simões,
Fabiano Gregório,
Jaderson Andrade,
Júlia Michaelsen,
Philipe Bellettinni
e Ubiratan Farias.

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Será no sábado 11/12, no Engenho dos Andrade (Santo Antônio de Lisboa), o Dia da Terra Madre em Florianópolis.

Veja programação completa na imagem acima. Convites a R$ 20,00 pelo fone 3334-3176 ou e-mail comunicacao@cepagro.org.br . As vagas são limitadas e a participação deve ser confirmada previamente.

O evento tem a parceria do Ponto de Cultura Arreda-Boi e do Convivium Sabor Selvagem (Balneário Camboriú).

 

DIA DA TERRA MADRE É REALIZADO EM TODO O PLANETA

Os mais de oitocentos eventos previstos para comemorar o Terra Madre Day, no próximo dia 10 de dezembro, terão como foco o alimento local.
Por ocasião da segunda edição do evento, em mais de 160 países, a grande rede do Slow Food, que reúne agricultores, produtores, escolas, cozinheiros e associados, vai celebrar o alimento local com iniciativas criadas para frisar a importância de uma alimentação saudável, sobretudo para os povos dos países mais pobres.

A seguir alguns exemplos de iniciativas organizadas no mundo:

Em Ouagadougou, a capital do Burquina Faso, as meninas do orfanato da Ampo (Association Managré Nooma pour la Protection des Orphelins) participarão de uma série de eventos cujo objetivo é promover a importância dos alimentos tradicionais e locais para a saúde. Com um grupo de produtores orgânicos, será organizada, no dia 10 de dezembro, a “Dégustation du Fonio a l’Orphelinat Filles de Ampo: degustação de plantas indígenas como a moringa (planta com virtudes nutritivas usada para o combate à malnutrição) e o fônio (considerado o mais antigo cereal da África ocidental).

Na Argentina, o Convivium de Buenos Aires também vai comemorar o Dia de Terra Madre Para Todos, cozinhando pratos da tradição local preparados em alguns restaurantes da cidade, e distribuídos para as pessoas sem moradia, e aos que vivem na pobreza.

O Slow Food Ria, na Letônia, responde com uma iniciativa que combina atividades educacionais e beneficentes. Com o Family Sensation, os agricultores oferecem aos alunos das escolas primárias os ingredientes necessários para a torta de maçã tradicional, que as crianças preparam com a ajuda de alguns cozinheiros. Uma vez prontas, as tortas serão oferecidas aos órfãos de Jekabpilsa, junto com livros, roupas e tudo aquilo que os alunos terão coletado durante a semana beneficente.

No sul da Alemanha, em Hohenheim, bairro de Plieningen, cidadezinha do distrito de Stuttgard, no dia 10 de dezembro vai ser comemorado “The Right to Food Day”. O mercado camponês market @ Hohenheim, que reúne cultivadores orgânicos e biodinâmicos, por ocasião do evento, vai organizar um Eat-In (encontro convivial durante o qual cada convidado leva um prato preparado em casa), que será apresentado pelo Secretário Geral do Food-First International Action Network.

Outros eventos terão como tema principal a defesa dos saberes tradicionais e da biodiversidade. Na Indonésia, o Wild Food Festival vai celebrar a cultura culinária das aldeias da Ilha de Java, oferecendo degustações de pratos preparados pelas mulheres, que são as guardiãs das técnicas de preparação, dos conhecimentos sobre sazonalidade e gastronomia, que hoje em dia correm o risco de se perderem.

The Bread, Wine and Cheese vai ser organizado no Mercado da Terra de Hamra, em Beirute. Vai ser apresentado ao público o patrimônio da agrobiodiversidade local ameaçado de extinção pelo sistema alimentar globalizado, oferecendo o pão tradicional libanês, preparado com 20 variedades de trigo. Tudo vai ser acompanhado com vinho e queijos dos produtores locais.

No Quênia, o Traditional Seed Fair reúne agricultores e produtores de pequena escala que colocam à venda sementes tradicionais trocando informações sobre o patrimônio de biodiversidade do país.

No Caribe, na capital de Trindade e Tobago, organiza-se um Eat-In durante o qual vai ser lançada a campanha “cultivar local, comprar local, comer local”, em colaboração com o Governo nacional.

Saiba mais! Venha descobrir os eventos do Terra Madre Day cadastrados até hoje e viste o nosso mapa interativo:
http://www.slowfood.it/terramadreday/pagine/ita/mappa.lasso

Saiba mais sobre o Slow Food: www.slowfood.com
Saiba mais sobre o Terra Madre: www.terramadre.org

 

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Capacitação em Turismo – Ponto de Cultura Engenhos de Farinha

por Fernando Angeoletto

Foi realizada em 30/09 uma capacitação em turismo voltada às famílias dos Engenhos que integram o Ponto de Cultura. A programação foi composta de visita ao Engenho Junkes, em Rancho Queimado, que acumula experiência na recepção de grupos, seguida de uma aula teórica e apresentação de vídeos. Os 22 participantes possuem o intuito comum de valorizar a riqueza histórica e cultural dos seus Engenhos, adequando-os para receber visitantes, possibilitando geração de renda e o interesse em preservar as edificações.

Daniela Gelbcke, engenheira agrônoma e técnica da Acolhida na Colônia, foi convidada pelo Cepagro para ministrar a capacitação. O processo iniciou-se com visita a cada um dos Engenhos e entrevista com as famílias, visando um levantamento do potencial turístico e diagnóstico das instalações. Todas as famílias entrevistadas apontaram o interesse em trabalhar com visitantes, e algumas já estão passando pela experiência.

É o caso de Zezinho e Rose, proprietários de um Engenho na Lagoa da Encantada (Garopaba). “Já recebemos 3 grupos de escolas, é uma festa, as crianças gostam muito. Como a estrutura ainda não é totalmente adequada, não cobro nada. Mas o retorno financeiro vem na feira onde vendo meus produtos: a criançada leva os pais, minhas vendas aumentaram em 30%”, relatou Zezinho, que é também produtor orgânico, durante a aula prática.

A experiência da Acolhida na Colônia, que hoje é destacada pelo Ministério do Turismo como destino referência em Turismo Rural, serviu de estímulo aos participantes. Daniele Gelbcke explica que a chave de tudo é o trabalho em rede. “Ninguém fez grandes reformas em suas propriedades. A pessoa vem da cidade e quer conhecer o que é autêntico. A auto-estima do agricultor cresce muito quando percebe a riqueza do seu estilo de vida, e todos saem ganhando quando formam uma rede de trabalho”, ilustra.

Ela sugeriu as melhorias que cada Engenho pode implementar para receber pessoas com tranquilidade. Reforma ou construção de banheiros é uma delas, além de quadros explicativos com o nome e modo de funcionamento de cada peça, uma vez que nem sempre haverá farinhada na presença do visitante. Louças de barro, melhoria na apresentação dos produtos artesanais e um local específico para a venda deles também estão na lista. Com base nessas necessidades, e outras expressadas pelas famílias, o Ponto de Cultura prevê recursos para custear parte das melhorias.

As ações do Ponto de Cultura aos poucos vão conformando uma rede, que será potencializada nas próximas etapas. São previstas 27 oficinas para o ano que vem, cuja temática será decidida pelas próprias famílias. Conhecimentos tradicionais serão intercambiados nestes momentos, com eventos nos próprios Engenhos. Há também uma demanda, levantada na Capacitação, de que novos momentos de formação em Turismo estejam entre as oficinas.

A aula teórica de Rancho Queimado aconteceu nas dependências da Cabanha Bauer. Lá, os participantes puderam conferir de perto o funcionamento de uma propriedade da Acolhida, além de provar as delícias da agricultura orgânica à mesa no almoço e café da tarde.

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